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Sou eu ou a música realmente boa está perdida?

Há algum tempo nós vemos bandas e mais bandas pipocando por aí, com hits “pop”, direito a clipezinho na MTV, emos e groupies fazendo a festa e tudo o mais. A cada dia que se passa a febre aumenta, pessoas ficam cantarolando músicas erroneamente aqui e acolá, se dizem verdadeiros “Fãs” das bandas e hits atuais, e, em algum tempo no futuro, esquecem de tal fato mais fácil do que perder uma caneta bic por aí.

E, afinal, quem contribui pra tudo isso? As bandas novas, completamente sem conteúdo, ou as do Arco-da-Velha, que agora tentam mesclar seu som com os ritmos melódicos/melosos/nojentos que rondam por aí e atingem nossa preciosa audição?

Musicistas e bandas de renome ao redor do globo estão aderindo à modinha pra não perder os “fãs fervorosos de 15 minutos”. Alteram completamente seus estilos de cantar, tocar, se expressar, para agradar meia dúzia de pessoas completamente destacadas na multidão - e completamente descartáveis -, se rebaixam de tal modo que eu chego a ter náuseas ao ouvir suas músicas novas. Aonde foi parar a tradição musical? Mudar por mudar tudo bem, o mundo é feito de mudanças. Mas quando o assunto é marketing, pera lá, as coisas estrapolam, mudam de rumo, caem nas graças do povão e mudam o significado de renome para ridículo.

É aí que dá saudade daqueles velhos discos de vinil, insuperáveis, com artistas gloriosos, que até hoje não mudaram tudo na carreira pra atingir uma meta completamente porca (não contando os mortos, obviamente!).

Sem mais blábláblá~

.meu coração desenha um sonho.

~
Imagem: Alan Blair | Texto: Arquivo pessoal

Olhe, o vento começou a se mover,
ainda não desistirei.
Sinto o sol na ponta da nuvem,
mesmo com o vento estando contra.
Eu me viro para um amanhã que transborda de tanto brilho, porque a alegria é real.
Abrindo minhas asas até onde eu posso, reunindo o vento,
eu posso ir aonde for… é o destino!
Meu coração vai desenhando um sonho
tão alto seja onde for
Livremente voará… meu coração desenha um sonho.
Quando pousar e abrir os olhos
penso em te encontrar com um sorriso,
Seria bom se encontrasse…
Sinto o sol na ponta da nuvem.

Pensando bem
Em tudo o que a gente vê, e vivencia
E ouve e pensa
Não existe uma pessoa certa pra gente
Existe uma pessoa
Que se você for parar pra pensar
É, na verdade, a pessoa errada.

Porque a pessoa certa
Faz tudo certinho
Chega na hora certa,
Fala as coisas certas,
Faz as coisas certas,
Mas nem sempre a gente tá precisando das coisas certas.
Aí é a hora de procurar a pessoa errada.

A pessoa errada te faz perder a cabeça
Fazer loucuras
Perder a hora
Morrer de amor
A pessoa errada vai ficar um dia sem te procurar
Que é pra na hora que vocês se encontrarem
A entrega ser muito mais verdadeira
A pessoa errada, é na verdade, aquilo que a gente chama de pessoa certa
Essa pessoa vai te fazer chorar
Mas uma hora depois vai estar enxugando suas lágrimas
Essa pessoa vai tirar seu sono
Mas vai te dar em troca uma noite de amor inesquecível
Essa pessoa talvez te magoe
E depois te enche de mimos pedindo seu perdão
Essa pessoa pode não estar 100% do tempo ao seu lado
Mas vai estar 100% da vida dela esperando você
Vai estar o tempo todo pensando em você.

A pessoa errada tem que aparecer pra todo mundo
Porque a vida não é certa
Nada aqui é certo
O que é certo mesmo, é que temos que viver
Cada momento
Cada segundo
Amando, sorrindo, chorando, emocionando, pensando, agindo, querendo,conseguindo

E só assim
É possível chegar àquele momento do dia
Em que a gente diz: “Graças à Deus deu tudo certo”
Quando na verdade
Tudo o que ele quer
É que a gente encontre a pessoa errada
Pra que as coisas comecem a realmente funcionar direito pra gente…

Cabe a nós brindar as descobertas, buscar a evolução.

Luis Fernando Veríssimo

My World

I’m not coming back
I’m not gonna react
I’m not doing shit for you
I’m not sitting around
While you’re tearing it down around us
I’m not living a lie
While you swim in denial
‘Cause your already dead and gone
You’ll leave me out on the curb
Just like everyone
Else before you

Welcome to my world
Where everyone I ever need
Always ends up leaving me alone
Another lesson burned
And I’m drowning in the ashes
Kicking
Screaming
Welcome to my world

I don’t care what you think
I’m not seeing a shrink
I’m not doing this again
I’m not another
Student or a mother
To take your shit out on
So let’s see what you got
And let’s see what you’re not
And whatever else you pretend
You’ve defended my intentions
Long enough

Welcome to my world
Where everyone I ever need
Always ends up leaving me alone
Another lesson burned
And I’m drowning in the ashes
Kicking
Screaming
Welcome to my world

So here I am again
In the middle of the end
The choice I wish I’d made
I always make too late

Welcome to my world
Where everyone I ever need
Always ends up leaving me alone
Another lesson burned
And I’m drowning in the ashes
Kicking
Screaming
Welcome to my world

My world…
My world…
My world…
My world…
My world….
Welcome baby.

Resumão da semana

Em apenas uma frase: Tudo o que eu quero esquecer.

—————

“Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou
fazer sexo… Isto é carência!

Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes
queridos que não podem mais voltar… Isto é saudade!

Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes para
realinhar os pensamentos… Isto é equilíbrio!

Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe
compulsoriamente… Isto é um princípio da natureza!

Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado… Isto é circunstância!

Solidão é muito mais do que isto… SOLIDÃO é quando nos perdemos de
nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma.”

                                                       Chico Buarque.

A volta dos Deuses?

TOSHI e YOSHIKI, respectivamente ex-vocalista e ex-baterista/pianista do lendário X JAPAN, recentemente tornaram oficiais os rumores sobre as negociações de uma reunião do X JAPAN. Quando TOSHI anunciou que deixaria o X, em 1997, YOSHIKI optou por encerrar as atividades da banda. As possibilidades de retorno ficaram ainda mais remotas após a morte do guitarrista hide, num misterioso suicídio ocorrido em 1998.

 Porém, nos últimos dias surgiu uma comoção entre fãs devido a rumores de que os membros remanescentes do X se reuniriam para realizar shows especiais, marcando o 10º aniversário da dissolução da banda neste ano ou o 10º aniversário da morte de hide no ano que vem.  As especulações foram tão fervorosas que até a grande mídia asiática dedicou artigos ao assunto. Negociações nesse sentido foram confirmadas oficialmente em posts no site oficial de TOSHI e posteriormente no blog de YOSHIKI.  TOSHI declarou que o ex-diretor do escritório de agenciamento do X JAPAN insistia com ele há meses para que voltasse a se apresentar com os outros membros. No começo do parágrafo que redigiu, TOSHI afirmou que não tinha interesse no retorno da banda. Entretanto, mais adiante, o cantor demonstra-se mais otimista quanto a esta possibilidade. “Confirmei com YOSHIKI que ele quer fazer, a conversa avançou a ponto de amigos artistas em comum apoiarem e criarem expectativas”, disse TOSHI, em relação ao apoio de músicos como o célebre Tetsuya Komuro, líder do globe.  Poucos dias depois, YOSHIKI postou sobre o assunto em seu blog no site MySpace.com. Hesitante e emotivo em seu texto, ele afirma que ainda é capaz de tocar bateria com voracidade, mas que os traumas pelo distanciamento de TOSHI, o fim da banda e a morte de hide o atacam quando o assunto X JAPAN vem à tona. “Apenas dêem-me um pouco mais de tempo”, pede YOSHIKI aos fãs.  Alguns destes especulam que SUGIZO, ex-guitarra da famosa banda LUNA SEA, substituiria hide durante shows especiais. Artigos em sites japoneses e o fato do guitarrista ser amigo dos integrantes do X reforçam a idéia.  Banda de super-astros do j-rockMesmo preocupado com o retorno do X JAPAN, YOSHIKI dá continuidade a outros grandes projetos musicais. Além de seu tão falado Violet UK, que integrará a trilha sonora do filme hollywoodiano “Catacombs“, o baterista/pianista/regente soltou outra bomba no final do ano passado que foi ganhando ainda mais força nos últimos dois meses.  Já está totalmente confirmada uma parceria entre YOSHIKI, SUGIZO e o cantor Gackt para uma nova e misteriosa super-banda. A reunião será em Los Angeles, lar de YOSHIKI e, segundo declaração de SUGIZO para o Yahoo! Japan, todos os músicos pretendem deixar seus grandes egos de lado para produzir um rock impactante com o objetivo de dominar o mercado mundial.  YOSHIKI disse ao Yahoo! Japan que mais dois membros serão adicionados ao time, provavelmente um guitarrista e um baixista. Fãs do j-rock especulam fortemente que este guitarrista seria o cantor solo miyavi, que tem feito várias viagens a Los Angeles para trabalhar em um projeto que ele afirma não poder revelar ainda.  Fontes: iori / Yahoo! Japan

Sem perguntar a verdadeira razão da tristeza, Abracei você apertado.
A luz da lua ilumina você. Singelamente, convidei o amor.
É doloroso, não consigo dormir

O fato de você estar chorando minutos atrás
Quando foi que percebi?
Você estava se sentindo sozinho?
Será isso um sonho frágil?
Não responda nada, além disso

Se eu amar, irei me machucar tanto quanto estiver amando
Meus pensamentos perderam a vida
Mesmo que todos desejem amor, continuam a passar desatentos uns pelos outros
Você continua o mesmo, isso é doloroso, não é?

Não chore. ninguém está lhe condenando por amar alguém
Ninguém pode parar os sentimentos de começar a amar alguém
Eu também sou assim
É um tipo de dor que você não pode fugir

Se eu amar, irei me machucar tanto quanto estiver amando
De amanha em diante, o que nós dois devemos fazer?
Os dias que não mudaram para melhor se repetem, mas
Quero que você saiba que quero ficar ao seu lado, estarei ao seu lado

Se eu amar, irei me machucar tanto quanto estiver amando
Parece que dessa forma está a razão de poder me tornar mais forte e gentil
Mesmo a tristeza pode se transformar em pensamentos, quero acreditar nisso
Pois não vou desistir desses sentimentos que tenho por você

êta mundinho… (parte I)

- Senta logo, o filme vai começar.
- Já vou, tou terminando de falar com minha mãe no telefone.
- Sua mãe acabou de sair daqui, manda ela ir logo pro asilo e te deixar em paz porra!
- Não é nada não mãe, também te amo, tchau.
- Pronto?
- Pronto. Satisfeita?
- Muitíssimo, ainda mais agora que os trailers se foram.
- Eu pensei que nós iríamos pra balada ou algo do tipo, e não assistir esse bendito filme denovo.
- Se não tá bom pra você eu vou embora, ingrata.
- Tudo bem, tudo bem.

Droga de filme chato. Droga de Carol que teima em ficar repetindo em voz alta a legenda de cada bendito filme dos anos 60 que ela resolve alugar. Se fosse por mim eu teria ido pra rua sozinha.

- “E, então, nenhuma lágrima descerá sobre seus olhos…”
- Já chega, Carol.
- Chega do quê?
- Pára de repetir as falas dos atores, eu também sei ler.
- Você tá tão incomodada assim com o filme é?
- Claro, nós assistimos semana passada, lembra?
- E você não me deixou terminar de assistir.
- Não deixei mesmo, você não consegue se conter em apenas ler as benditas letrinhas amarelas!

Se eu pudesse, naquela hora ligava pro namorado dela e mandava-o tirá-la lá de casa. Mas provavelmente ele estava com uma das suas quatro amantes, e a cega não enxergava nada nele além de bíceps e tríceps.
Aliás, só conseguia aturar as sessões-tortura de filmes medievais porque eu sabia que se ela fosse pra casa iria dar de cara com o namorado brincando de médico com aquela vizinha loirona.

- Você quer escolher outro filme, é isso?
- Não, não quero. Mas você poderia diversificar um pouco mais, já estou ficando enjoada.
- Enjoada? Tu tá grávida menina?
- Só se for do meu vibrador
- … nojenta.
- Vai logo, escolhe outro filme e senta pra assistir, ou eu vou comer a pipoca toda.
- Tudo bem, você já me fez perder a concentração nas falas.
- Pelo amor de Deus Carol! Titanic denovo não!
- Mas é o Leonardo, Mari… o Le-o-nar-do!
- Foda-se o Leonardo! Prefiro assistir um jogo de futebol.
- Você tá falando sério?
- Claro, porquê não?
- Maria chuteira.
- OK, chega. Nada de filmes hoje.
- Mas…
- Nem adianta fazer beicinho pq eu não sou o Márcio. Agora prega o rabo aí no sofá e vamo ver o jogaço de hoje.
- Você tá me assustando com essa história de jogaço.

Acho que até hoje ninguém faz uma noção muito correta do que é para uma mulher assistir jogos de futebol na tv, e, melhor, junto de amigas. Nós, diferente dos homens, nos concentramos apenas nos jogadores, e não naquela bolinha preto-e-branca insossa que fica correndo pra lá e pra cá pelo campo.

- A bunda daquele ali é maior que a minha.
- Claro que é, sua maria chuteira.
- Cala a boca, vaca.
- Olha aquele ali, meu Deus! olha as pernas dele!
- Eu tô vendo, eu tô vendo…
- Ai! tadinho, é falta, é falta!
- Que falta o quê, ele se jogou no chão.
- Não me importo, eu vou lá salvar o coitadinho!
- Carol, você tem namorado.
- E ele provavelmente deve tar comendo a vizinha do lado.
- Quê?
- Você acha que eu não sei? Só estou com ele por causa do status querida, status.
- Ahh, claro, e o título de corno vem de brinde né?
- Isso é detalhe, eu pulo a cerca de vez em quando também.
- Deixa de mentira, você é mais fiel que cadelinha amestrada.
- Só nos seus sonhos né! Lembra do Cézar?
- Cézar? Aquele lá da boate?
- Esse mesmo. Outro dia mesmo eu dei uns pegas nele…
- Mentira! sua safada!
- E você acha que só eu vou ficar com o título de corno? Faça-me o favor, Mari.
- E, como foi?
- Excelente.
- Excelente?
- Sim, excelente. Pra falar a verdade, ele é melhor que meu namorado.
- Talvez por ele ser gay.
- Quem é gay? o Márcio?
- Não, o Cézar.
- Mentira! O cara é machão! me pegou de um jeito que te faria esquecer tudinho…
- E com certeza ele te fez esquecer os trocentos caras que a gente viu ele agarrando na boate naquela noite né?
- Ah, deixa de bobagem.
- Bobagem nada! Se ele for homem, seu namorado é fiel.
- Chega, vamo ver o jogo e esquecer desses homens.
- Mas o jogo só tem homens…
- Desliga essa tv então, porra!
- Você devia fazer como eu. Se fosse apenas um vibrador você seria mais feliz. Mas nããão, quiz pegar o status né, querida? o status!

-continua-

Desilusão. Solidão. Doce Ilusão?

Não resisti…

 Minha solidão não é inferno, minha solidão não é castigo. Minha solidão é travessia no deserto. Às vezes implorando por oásis, às vezes acompanhada, sempre um pedaço de caminho disfarçado de caminho inteiro. Minha solidão é noite fria, é seu beijo sem a sua lingua, é virar de lado nessa cama vazia. O calor das manhãs não me acalma. Joga no chão, faz rastejar sobre o nada, ensina a sobreviver abaixo da superfície. Minha solidão é deserto e a sua também, você sempre soube. Por que não me contou? O silêncio nos distraia das palavras mal ditas que ecoavam no nosso peito, só para nos proteger da loucura. Os sonhos se misturaram com saliva, lagrima, suor e um pouco de delirio no meio e fim da madrugada. Eu achei que éramos iguais, que nós dois estávamos perdidos e que tudo voltaria a fazer sentido quando entrelaçassemos nossas mãos… Mas era só mais um engano, era só mais uma brisa de desejo… Passou.
Carinho nenhum vira orgasmo depois que uma paixão se perde no passado, amor nenhum sobrevive a ausência do toque, nunca houve flores no meu deserto… Só ilusões. A ilusão de que a solidão é destino e não um manto de proteção. A ilusão de que você era de verdade e que traria flores do Atacama… Ao menos uma. Por uma noite que fosse, por uma miragem que nos guiasse pela saudade e não findasse nossa história sem os abraços que escrevemos enquanto nossa febre nos queimava e distanciava.

Alê felix

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Tirem suas conclusões. O texto é da Alê, mas se enquadra eprfeitamente em… Todos que quiserem ser enquadrados, pra não dizer a verdade que está na ponta da língua.

“Tenta sim. Vai ficar lindo.”

Texto retirado do Grupo E-Jovem, que por sua vez foi retirado de algum site/blog que eu não me recordo. 

Mas, vale a pena ler! (Rindo até agora)

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“Tenta sim. Vai ficar lindo.”

Foi assim que decidi, por livre e espontânea pressão de amigas, me render à depilação na virilha. Falaram que eu ia me sentir dez quilos mais leve.

Mas acho que pentelho não pesa tanto assim. Disseram que meu namorado ia amar, que eu nunca mais ia querer outra coisa. Eu imaginava que ia doer, porque elas ao menos me avisaram que isso aconteceria. Mas não esperava que
por trás disso, e bota por trás nisso, havia toda uma indústria pornô-ginecológica-estética.

- Oi, queria marcar depilação com a Penélope.
- Vai depilar o quê?
- Virilha.
- Normal ou cavada?

Parei aí. Eu lá sabia o que seria uma virilha cavada. Mas já que era pra fazer, quis fazer direito.

- Cavada mesmo.
- Amanhã, às… Deixa eu ver…13h?
- Ok. Marcado.

Chegou o dia em que perderia dez quilos. Almocei coisas leves, porque sabia lá o que me esperava, coloquei roupas bonitas, assim, pra ficar chique. Escolhi uma calcinha apresentável. E lá fui. Assim que cheguei, Penélope estava esperando. Moça alta, mulata, bonitona. Oba, vou ficar que nem ela, legal. Pediu que eu a seguisse até o local onde o ritual seria realizado. Saímos da sala de espera e logo entrei num longo corredor. De um lado a parede e do outro, várias cortinas brancas. Por trás delas ouvia gemidos, gritos, conversas. Uma mistura de Calígula com O Albergue. Já senti um frio na barriga ali mesmo, sem desabotoar nem um botão. Eis que chegamos ao nosso cantinho: uma maca, cercada de cortinas.

- Querida, pode deitar.

Tirei a calça e, timidamente, fiquei lá estirada de calcinha na maca.
Mas a Penélope mal olhou pra mim. Virou de costas e ficou de frente pra uma mesinha. Ali estavam os aparelhos de tortura. Vi coisas estranhas. Uma panela, uma máquina de cortar cabelo, uma pinça. Meu Deus, era O Albergue
mesmo. De repente ela vem com um barbante na mão. Fingi que era natural e sabia o que ela faria com aquilo, mas fiquei surpresa quando ela passou a cordinha pelas laterais da calcinha e a amarrou bem forte.

- Quer bem cavada?
..é… é, isso.

Penélope então deixou a calcinha tampando apenas uma fina faixa da Abigail, nome carinhoso de meu órgão, esqueci de apresentar antes.

- Os pêlos estão altos demais. Vou cortar um pouco senão vai doer mais ainda.
- Ah, sim, claro.

Claro nada, não entendia porra nenhuma do que ela fazia. Mas confiei.

De repente, ela volta da mesinha de tortura com uma esp átula melada de um líquido viscoso e quente (via pela fumaça).

- Pode abrir as pernas.
- Assim?

Não, querida. Que nem borboleta, sabe? Dobra os joelhos e depois joga cada perna pra um lado.

- Arreganhada, né?

Ela riu. Que situação. E então, Pê passou a primeira camada de cera quente em minha virilha Virgem. Gostoso, quentinho, agradável. Até a hora de puxar.

Foi rápido e fatal. Achei que toda a pele de meu corpo tivesse saído, que apenas minha ossada havia sobrado na maca. Não tive coragem de olhar.
Achei que havia sangue jorrando até o teto. Até procurei minha bolsa com os olhos, já cogitando a possibilidade de ligar para o Samu. Tudo isso buscando me concentrar em minha expressão, para fingir que era tudo supernatural.

Penélope perguntou se estava tudo bem quando me notou roxa. Eu havia esquecido de respirar. Tinha medo de que doesse mais.

- Tudo ótimo. E você?

Ela riu de novo como quem pensa “que garota estranha”. Mas deve ter aprendido a ser simpática para manter clientes.

O processo medieval continuou. A cada puxada eu tinha vontade de espancar Penélope. Lembrava de minhas amigas recomendando a depilação e imaginava que era tudo uma grande sacanagem, só pra me fazer sofrer. Todas recomendam a
todos porque se cansam de sofrer sozinhas.

- Quer que tire dos lábios?
- Não, eu quero só virilha, bigode não.
- Não, querida, os lábios dela aqui ó.

Não, não, pára tudo. Depilar os tais grandes lábios ? Putz, que idéia.
Mas topei. Quem está na maca tem que se fuder mesmo.

- Ah, arranca aí. Faz isso valer a pena, por favor.
Não bastasse minha condição, a depiladora do lado invade o cafofinho de Penélope e dá uma conferida na Abigail.

- Olha, tá ficando linda essa depilação.
- Menina, mas tá cheio de encravado aqui. Olha de perto.

Se tivesse sobrado algum pentelhinho, ele teria balançado com a respiração das duas. Estavam bem perto dali. Cerrei os olhos e pedi que fosse um pesadelo. “Me leva daqui, Deus, me teletransporta”. Só voltei à terra quando
entre uns blábláblás ouvi a palavra pinça.

- Vou dar uma pinçada aqui porque ficaram um pelinhos, tá?
- Pode pinçar, tá tudo dormente mesmo, tô sentindo nada.
Estava enganada. Senti cada picadinha daquela pinça filha da mãe arrancar cabelinhos resistentes da pele já dolorida. E quis matá-la. Mas mal sabia que o motivo para isso ainda estava por vir.

- Vamos ficar de lado agora?
- Hein?
- Deitar de lado pra fazer a parte cavada.

Pior não podia ficar. Obedeci à Penélope. Deitei de ladinho e fiquei esperando novas ordens.

- Segura sua bunda aqui?
- Hein?
- Essa banda aqui de cima, puxa ela pra afastar da outra banda.
Tive vontade de chorar. Eu não podia ver o que Pê via. Mas ela estava de cara para ele, o olho que nada vê. Quantos haviam visto, à luz do dia, aquela cena? Nem minha ginecologista. Quis chorar, gritar, peidar na cara dela, como se pudesse envenená-la. Fiquei pensando nela acordando à noite com um pesadelo. O marido perguntaria:
- Tudo bem, Pê?
- Sim… sonhei de novo com o cu de uma cliente.

  Mas de repente fui novamente trazida para a realidade. Senti o aconchego falso da cera quente besuntando meu Twin Peaks. Não sabia se ficava com mais medo da puxada ou com vergonha da situação. Sei que ela deve ver mil cus por
dia. Aliás, isso até alivia minha situação. Por que ela lembraria justamente do meu entre tantos? E aí me veio o pensamento: peraí, mas tem cabelo lá?
Fui impedida de desfiar o questionamento. Pê puxou a cera. Achei que a bunda tivesse ido toda embora. Num puxão só, Pê arrancou qualquer coisa que tivesse ali. Com certeza não havia nem uma preguinha pra contar a história
mais. Mordia o travesseiro e grunhia ao mesmo tempo. Sons guturais, xingamentos, preces, tudo junto.

- Vira agora do outro lado.

Porra.. por que não arrancou tudo de uma vez? Virei e segurei novamente a bandinha. E então, piora. A broaca da salinha do lado novamente abre a cortina.

- Penélope, empresta um chumaço de algodão?
Apenas uma lágrima solitária escorreu de meus olhos. Era dor demais, vergonha demais. Aquilo não fazia sentido. Estava me depilando pra quem?
Ninguém ia ver o tobinha tão de perto daquele jeito. Só mesmo Penélope. E agora a vizinha inconveniente.

- Terminamos. Pode virar que vou passar maquininha.
- Máquina de quê?!
- Pra deixar ela com o pêlo baixinho, que nem campo de futebol.
- Dói?
- Dói nada.
- Tá, passa essa merda…
- Baixa a calcinha, por favor.

Foram dois segundos de choque extremo. Baixe a calcinha, como alguém fala isso sem antes pegar no peitinho? Mas o choque foi substituído por uma total redenção. Ela viu tudo, da perereca ao cu. O que seria baixar a calcinha? E
essa parte não doeu mesmo, foi até bem agradável.

- Prontinha. Posso passar um talco?
- Pode, vai lá, deixa a bicha grisalha.
- Tá linda! Pode namorar muito agora.

Namorar…namorar… eu estava com sede de vingança. Admito que o resultado é bonito, lisinho, sedoso. Mas doía e incomodava demais. Queria matar minhas amigas. Queria virar feminista, morrer peluda, protestar  contra isso.
Queria fazer passeatas, criar uma lei antidepilação cavada.

Queria comprar o domínio  www.preserveasvaginaspeludas.com.br

Filha da puta foi a mulher que inventou a “cavadinha”.